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08.02.2010
Ferries depenados serão leiloados como sucatas

Os ferryboats Gal Costa e Mont Serrat, pertencentes ao Estado, foram depenados e seus cascos vão ser leiloados como sucata, segundo documentos obtidos com exclusividade por A TARDE. Parte das peças e equipamentos foi subtraída pela empresa TWB, gestora do sistema, segundo a administração da Marina Aratu, onde as embarcações estão ancoradas.

 

O Ministério Público baiano (MP-BA) considera irregular a retirada dos itens, pois as embarcações não estão incluídas no contrato de concessão do governo do Estado à empresa que administra o sistema de travessia Salvador-Itaparica.

 

Após serem depenados e sucateados, os dois ferries foram avaliados em R$ 141 mil, pela empresa de engenharia naval Luiz Mattos e Engenheiros Associados, contratada pela agência reguladora do transporte no Estado (Agerba). Cerca de 35 anos depois de serem comprados pelo Estado por milhões, as embarcações têm hoje seus preços calculados pelo valor do aço para sucata.

 

O ferry Gal Costa foi comprado pelo Estado por 83,9 milhões de cruzeiros, em 1978, junto ao extinto Estaleiro Só, no Rio Grande do Sul. O Mont Serrat foi adquirido quatro anos antes, no mesmo estaleiro, mas o Estado não localizou o valor da transação à época. O penúltimo ferry a ser comprado pela extinta Companhia de Navegação Baiana (CNB) foi o Ipuaçu, em 1983, por US$ 5 milhões.

 

Quando os engenheiros navais avaliaram os ferries, em abril de 2006, encontraram apenas os cascos das embarcações. Quase todas as peças tinham sido retiradas e as que sobraram estavam danificadas. O estado de conservação do Gal Costa era tão ruim que a Agerba sugeriu afundar o barco na Baía deTodos-os-Santos para ser usado como atração para mergulhadores.

 

Outro destino sugerido pelos avaliadores para as 830 toneladas de aço do Gal Costa foi a venda para sucata por R$ 70,5 mil. O Mont Serrat foi avaliado pelo mesmo preço, mas os engenheiros verificaram que a embarcação ainda teria condição de ser recuperada. Entretanto, o custo de R$ 9 milhões para reformá-lo foi considerado muito alto e o governo desistiu.

 

Hoje, os dois ferries permanecem em situação precária, ancorados na Marina Aratu, em Simões Filho (Grande Salvador). A Agerba, responsável pelas embarcações, paga cerca de R$ 10 mil por mês para mantê-las ali.

 

Peças - Laudos da empresa Luiz Mattos, de código OV068R01 e OV068R02, atestam que quase todas as peças e equipamentos foram retirados. Motores, bombas, compressores, válvulas, sistema de iluminação, balsas flutuantes, boias e vários outros itens sumiram, segundo documento assinado pelos engenheiros navais Leonardo Trindade Oliveira e Fernando Boccolini Filho, da empresa de engenharia naval.

 

A atual gestão da Agerba não sabe onde foram parar as peças e equipamentos retirados. O diretor executivo do órgão, Aristides Amorim de Cerqueira, há quatro meses no cargo, disse que os barcos foram dilapidados até 2006, no governo anterior. Cerqueira está tentando verificar se existe algum documento da gestão anterior que aponte o paradeiro do material.

 

Quando questionado sobre como as peças sumiram, já que os ferries estavam guardados dentro da Marina Aratu, o proprietário do estabelecimento, Antônio Barreto Dória, revelou que as peças do Mont Serrat foram retiradas por funcionários da TWB, com autorização do ex-diretor da agência reguladora, Antônio Lomanto Netto. "A TWB parava outro ferry do lado do Mont Serrat e levava as peças", revelou Barreto. Já o Gal Costa teria chegado sem as peças à Marina Aratu.

 

A assessoria de imprensa da empresa TWB informou que a concessionária não iria se pronunciar sobre o assunto. Já Lomanto Netto negou que tenha autorizado a retirada das peças e equipamentos dos dois ferries.

 

A promotora de justiça Rita Tourinho, coordenadora do Grupo Especial da Moralidade Administrativa, disse que a TWB não pode retirar peças do Mont Serrat, porque a embarcação pertence ao Estado e não foi cedida à empresa no contrato de concessão pública número 06/06.

 

De acordo com o contrato, a TWB é responsável pela manutenção das embarcações, inclusive a compra de peças. A concessionária realiza a travessia São Joaquim-Bom Despacho desde o final de 2005.

Fonte: A Tarde On Line

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