02.02.2010
Portos, rodovias e ferrovias precários atrapalham empresários baianos
Uma luta diária para evitar a perda de competitividade. Este é o desafio enfrentado pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras), Wilson Andrade. Na semana passada, ele criticou, via PortoGente, a política econômica do Governo Federal que favoreceu determinados setores em detrimento de outros nos últimos dois anos. Agora, neste rápido bate-papo, Wilson fala sobre a rotina de quem se propõe a produzir fibras vegetais na Bahia, um dos estados brasileiros que mais carece de infraestrutura logística.
O empresário fala sobre os problemas de portos, rodovias e ferrovias baianas. Cita o imbróglio que envolve a expansão do Terminal de Contêineres (Tecon Salvador) soteropolitano e tece duras críticas à administração política enraizada na Codeba, o que em seu entender apenas serve para emperrar a evolução dos portos de Aratu, Ilhéus e Salvador. "É necessário e urgente não somente duplicar a capacidade de tráfego, mas também criar novos caminhos para a Bahia". Confira a entrevista a seguir.
PortoGente - A infraestrutura dos portos da Bahia satisfaz os produtores de fibras vegetais?
Wilson Andrade - Com exceção do Porto de Ilhéus, todos os serviços e a infraestrutura portuária pública estão aquém da capacidade necessária para atender às demandas dos setores agropecuário, industrial e mineral da Bahia. Os produtores de fibras são diretamente afetados pelos custos logísticos altos, em decorrência da saturação da capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Salvador.
PortoGente - Na Bahia, qual a opção portuária dos produtores de fibras: Salvador ou Aratu?
Wilson Andrade - O Porto de Salvador, até porque nós utilizamos os contêineres para exportar nossas mercadorias. Fora da Bahia, é possível escoar nossa carga por todos os portos, mas fica caro mandar a carga via rodoviária ou via transbordo para outro porto. Retira a competitividade do setor.
PortoGente - Como o senhor vê os problemas políticos que emperraram a Codeba nos últimos anos?
Wilson Andrade - Eles foram e continuam sendo bastante prejudiciais para todos os segmentos econômicos do Estado e o empresariado de uma maneira geral. A Bahia e Salvador estão perdendo renda, empregos e tributos. A administração portuária deve estar próxima e afinada com os usuários, focada no seu verdadeiro cliente, que é o dono da carga.
PortoGente - A questão envolvendo o Tecon Salvador e sua ampliação atrapalha os empresários do setor?
Wilson Andrade - O Tecon já elaborou seis propostas de ampliação para o seu terminal e nenhuma prosperou. Claro que isto continua atrapalhando toda a Bahia.
PortoGente - Como estão as estradas e as ferrovias da Bahia?
Wilson Andrade - As rodovias melhoraram de 2006 para 2009, entretanto, as que consideramos principais estão saturadas. É necessário e urgente não somente duplicar a capacidade de tráfego, mas também criar novos caminhos para a Bahia. Já as ferrovias baianas estão abandonadas, fato que requer uma definição da concessionária: se quer continuar e prestar um serviço eficiente ou devolver o uso da malha, para que o governo assegure uma destinação com qualidade condizente às necessidades da economia da Bahia.
Fonte: PortoGente